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The Economy of Ideas: A framework for patents and copyrights in the Digital Age

Esta é uma tradução livre e não oficial do texto: The Economy of Ideas: A framework for patents and copyrights in the Digital Age, de autoria de John Perry Barlow, publicado originalmente na lingua inglesa na edição 2.03 da Revista Wired, em março de 1994.

Créditos da tradução para o Português: AndrePinto, Fernando Segura - fernando@noboteco.net e Liane Monolescu


A Economia de Idéias: um modelo para patentes e copyrights na Era Digital

(Tudo o que você sabe sobre propriedade intelectual está errado)

Por John Perry Barlow (tradução de AndrePinto, Fernando Segura e Liane Monolescu)

"Se a natureza fez algo menos suscetível que todas as outras de propriedade exclusiva, é a ação do poder de pensar chamada idéia, a qual um indivíduo possui exclusivamente enquanto guarde para sí; mas, no momento em que é divulgada, força-se à propriedade de todos, e o receptor não pode desvencilhar-se de sua propriedade. Seu caráter peculiar, também, é que ninguém a possui menos, porque todos a possuem integralmente. Aquele que recebe uma idéia de mim recebe, ele mesmo, instrução, sem diminuir a minha; como aquele que acende sua lamparina na minha recebe luz sem escurecer-me. Essas idéias devem espalhar-se livremente de um para outro pelo globo, pois a instrução moral e mútua do homem, e a melhoria de sua condição, parecem ter sido peculiar e benevolentemente desenhadas pela natureza, quando ela os fez, como fogo, espansível sobre todos os espaços, sem diminuir sua densidade em ponto algum, e como o ar que respiramos, mover, e dada nossa existência física, incapaz de confinamento ou propriedade exclusiva. Invenções, então, não podem, na natureza, ser objeto de propriedade." - Thomas Jefferson

Através do tempo em que tenho estado vagando no ciberespaço, uma imensidão, um problema não resolvido que permaneceu na raiz de praticamente toda contrariedade legal, ética, governamental e social encontrada no Mundo Virtual. Refiro-me ao problema da propriedade digitalizada. O Enigma é: Se nossa propriedade pode ser infinitamente reproduzida e instantaneamente distribuída por todo o planeta sem custo, sem nosso conhecimento, sem mesmo deixar a nossa posse, como podemos protegê-la? Como vamos ser pagos pelo trabalho que fazemos com nossas mentes? E, se não pudermos ser pagos, o que irá assegurar a criação e distribuição continuada de tal trabalho?

Como não temos uma solução para o que é um tipo profundamente novo de desafio, e aparentemente somos incapazes de atrasar a digitalização galopante de tudo que não é obstinadamente físico, navegamos rumo ao futuro em um barco a naufragar.

Esta nau, a cânone acumulada de copyright e lei de patentes, foi desenvoldida para transportar formas e métodos de expressão inteiramente distintos da carga vaporosa que agora é solicitada a carregar. Ela está vazando tanto de dentro como de fora.

Esforços legais para manter o velho barco flutuando tomam três formas: um frenesi de reorganização de cadeiras do convés, advertências severas aos passageiros de que, se ele naufragar, eles enfrentarão cruéis penalidades criminais, e a negação serena, de vistas grossas.

A propriedade intelectual não pode ser remendada, incrementada ou expandida para conter a expressão digital mais que a lei material poderia ser revisada para cobrir a alocação de espectro de difusão (o que, de fato, bem lembra o que está sendo tentado aqui). Precisaremos de desenvolver um conjunto de métodos inteiramente novo, apropriado para no novo conjunto de circunstâncias.

A maior parte das pessoas que realmente cria propriedade lógica - programadores, hackers, e navegandes da Rede - já o sabem. Infelizmente, nem as companhias para quem trabalham nem os advogados destas companhias têm experiência direta com bens não materiais o bastante para entender porque eles são tão problematicos. Eles estão procedendo como se as velhas leis ainda pudessem, de algum modo, funcionar, ou pela expansão grotesca ou pela força. Eles estão errados.

A fonte desta questão é tão simples quanto sua solução é complexa. A tecnologia digital está destacando informação do plano fisico, onde as leis de propriedade de todos os tipos sempre encontratam definição.

Através da história de copyrights e patentes, as assertivas proprietárias dos pensadores sempre foram focadas não nas suas ideias, mas na expressão de tais idéias. As idéias em si, bem como fatos sobre os fenômenos do mundo, eram considerados propriedade coletiva da humanidade. Alguem poderia franquear, em caso de copyright, na precisa forma da frase usada para transportar uma idéia em particular ou a ordem em que os fatos se apresentaram.

O ponto em que essa franquia foi imposta foi o momento quando a �idéia tornou-se carne�, partindo da mente de seu originador e entrando em algum objeto físico, livro ou dispositivo. A subseqüente chegada de outros meios comerciais além dos livros não altera a importância legal do momento. A lei protegeu a expressão e, com poucas (e recentes) exceções, expressar era tornar físico.

Proteger a expressão fisica tinha a força da conveniência a seu lado. O copyright funcionou bem porque, a despeito de Gutenberg, era dificil fazer um livro. Alem disso, os livros congelavam seus conteúdos em uma condição que era tão desafiadora de se alterar quanto era reproduzir. Fraudar e distribuir volumes fraudados eram atividades óbvias e visíveis - era fácil flagrar alguém no ato de fazê-lo. Finalmente, diferentemente de palavras e imagens soltas, livros tinham superficies materiais onde alguem podia afixar notas de copyright, marcas de editor e etiquetas de preço.

A conversão de mental para físico era ainda mais central para a patente. Uma patente, ate recentemente, era ou uma descrição da forma em que materiais deveriam ser organizados a fim de algum propósito, ou uma descrição do processo pelo qual a organização ocorria. Em todo caso, o coração conceitual da patente era o resultado material. Se nenhum objeto útil pudesse ser obtido por conta de alguma limitação material, a patente era rejeitada. Nem uma garrafa Klein nem uma pá feita de seda poderiam ser patenteadas. Tinha de ser uma coisa, e a coisa tinha de funcionar.

Então, os direitos de invenção e autoria aderiam às atividades no mundo físico. Não se era pago pelas idéias, mas pela habilidade de trazê-las à realidade. Para todos os propósitos práticos, o valor estava na concretização e não na idéia concretizada.

Em outras palavras, a garrafa estava protegida, não o vinho.

Agora, à medida em que a informação adentra o ciberespaço, o lar nativo da Mente, essas garrafas estão desaparecendo. Com o advento da digitalização, agora é possível substituir todas as formas anteriores de armazenamento de informação com uma metagarrafa: complexos e altamente líquidos padrões de uns e zeros.

Mesmo as garrafas físicas/digitais a que estamos acostumados - disquetes, CD-ROMs, e outros discretos, embaláveis, pacotes de bits - irão desaparecer à medida em que os computadores conectem-se à rede global. Enquanto que a Internet pode nunca incluir cada computador no planeta, ela mais que dobra de tamanho todo ano e pode vir a se tornar o principal meio de transporte de informação, e talvez, eventualmente, o único.

Uma vez que isso aconteça, todos os bens da Era da Informação - todas as expressões um dia contidas em livros ou filmes ou jornais - existirão como pensamento puro ou algo muito semelhante ao pensamento: condições de voltagem dardeando pela Rede na velocidade da luz, em condições que alguém poderia observar em efeito, como pixels brilhantes ou sons transmitidos, mas nunca tocar ou reclamar �possuir� no velho sentido da palavra.

Alguns poderão argumentar que a informação ainda requererá alguma manifestação fisica, como sua existência magnetica nos titânicos discos rígidos de distantes servidores, mas essas são garrafas que têm nenhuma forma macroscópicamente discreta ou pessoalmente significativa.

Alguns também poderão argumentar que temos lidado com expressão desengarrafada desde o advento do rádio, e eles estariam certos. Mas pela maior parte da história da difusão, não havia nenhum meio conveniente de capturar bens abstratos do éter eletromagnético e reproduzí-los com a qualidade disponível em pacotes coomerciais. Só recentemente isso mudou, e pouco se fez legal ou tecnicamente para endereçar essa mudança

Geralmente, a questão do pagamento pelo consumidor por produtos difundidos era irrelevante. Os consumidores em si eram o produto. A mídia de difusão era mantida pela venda da atenção de sua audiência a anunciantes, pela taxação do governo, ou pela mendicância lamuriosa de campanhas de doação anuais.

Todos os métodos de apoio à difusão são falhos. O apoio por anunciantes ou pelo governo quase invariavelmente contaminou a pureza dos bens entregados. Além disso, o marketing direto está matando gradativamente o modelo de apoio por anunciantes, de toda sorte.

Os meios de difusão nos deram outro método de pagamento para um produto virtual: os royalties que os difusores pagam aos compositores através por meio de organizações como ASCAP e BMI. Mas, como um membro da ASCAP, eu posso lhe assegurar que este não é um modelo que devemos imitar. Os métodos de monitoramento são absurdamente aproximados. Não há sistema paralelo de contabilização no fluxo de faturamento. Não funciona de verdade. Honestamente.

Em todo caso, sem nossos velhos métodos, baseados em definir fisicamente a expressão de idéias, e na falta de novos modelos bem sucedidos para transação não-física, nós simplesmente não sabemos como assegurar pagamento confiável para trabalhos mentais. Para tornar as coisas piores, isso vem em um tempo no qual a mente humana está substituindo a luz solar e os depósitos minerais como a principal fonte de novas riquezas.

Ademais, a crescente dificuldade de reforçar as leis de copyright e patentes existentes já está pondo em perigo a mais recente fonte de propriedade intelectual - a livre troca de idéias.

Isso é, quando os artigos primários de comércio em uma sociedade parecem muito com a fala como sendo indistinguíveis dela, e quando os métodos tradicionais de proteger a propriedade tornaram-se inefetivos, tentar consertar o problema com coerção mais ampla e vigorosa irá, inevitavelmente, ameaçar a liberdade de expressão. A maior restrição futura às suas liberdades pode não vir do governo, mas de departamentos legais corporativos trabalhando para proteger pela força o que não pode mais ser protegido pela eficiência prática ou consentimento social geral.

Além disso, quando Jefferson e seus colegas do Iluminismo desenharam o sistema que tornou-se a lei de copyright americana, seu objetivo primário era assegurar a distribuição ampla de pensamento, não o lucro. Lucro era o combustível que levaria as idéias às bibliotecas e mentes de sua nova república. Bibliotecas comprariam livros, então recompensando os autores por seu trabalho de montar idéias; essas idéias, de outro modo, �incapazes de confinamento�, tornar-se-iam então livremente disponíveis ao público. Mas qual é o papel das bibliotecas na ausência de livros? Como a sociedade paga agora pela distribuição de idéias senão por cobrar pelas idéias em si?

Um adicional complicador é o fato de que, com o desaparecimento das garrafas físicas nas quais a proteção à propriedade intelectual residia, a tecnologia digital também está apagando as jurisdições legais no mundo físico e as substituindo com as ilimitadas e, aparentemente, sem leis, ondas do ciberespaço.

No ciberespaço, nenhuma fronteira nacional ou local contém a cena de um crime e determina seu método de repressão; pior, nenhum acordo cultural claro define o que um crime poderia ser. Diferenças básicas e irresolvidas entre as culturas ocidentais e asiáticas acerca de propriedade intelectual somente podem ser exacerbadas quando muitas transações tomarem lugar entre ambos os hemisférios, e, ainda assim, de algum modo, em nenhum deles.

Mesmo na mais local das condições digitais, jurisdição e responsabilidade são difíceis de se avaliar. Um grupo de editores de música ajuizou uma ação contra a CompuServe? este outono porque ela permitiu que seus usuários carregassem músicas para áreas onde outros usuários poderiam acessá-las. Mas desde que a CompuServe? não pode exercer um grande controle prático sobre a corrente de bits que passa entre seus assinantes, ela provavelmente não deve ser responsabilizada por ilegalmente “publicar” esses trabalhos.

As noções de propriedade, valor, propriedade, e a natureza da riqueza em si mesma estão mudando mais fundamentalmente que a qualquer tempo desde que os Sumérios cravaram pela primeira vez suas cunhas na argila úmida e chamaram-na grãos conservados. Somente poucas pessoas estão a par da enormidade desta mudança, e menos ainda destes são advogados ou oficiais públicos.

Aqueles que vêem que essas mudanças devem preparar respostas para a confusão legal e social que irá brotar como esforços para proteger novas formas de propriedade com velhos métodos tornam-se mais obviamente fúteis, e, como conseqüência, mais refratários.

De Espadas para Writs para Bits

A humanidade agora parece debruçada em criar uma economia mundial primariamente baseada em bens que podem não tomar nenhuma forma material. Assim sendo, poderemos estar eliminando qualquer conexão previsível entre os criadores e uma justa recompensa para a utilidade ou o prazer que os outros possam encontrar em seus trabalhos. Sem essa conexão, e sem uma mudança fundamental de consciência para acomodar essa perda, nós estamos construindo nosso futuro no furor, na litigância e na evasão institucionalizada da exceção de pagamengo em resposta à força bruta. Poderemos retornar aos Velhos Maus Dias da propriedade.

Através das partes mais sombrias da história humana, a posse e distribuição da propriedade foi largamente um assunto militar. �Propriedade� era assegurada a aqueles com as ferramentas mais repugnantes, sejam pulsos ou exércitos, e a mais disposta vontade de usá-los. Propriedade era o direito divino dos trogloditas.

Por volta do primeiro milênio da era cristã, o surgimento de classes mercadoras e senhores feudais forçou o desenvolvimento de entendimentos éticos para a resolução de disputas de propriedade. Na Idade Média, governantes iluminados, como Henrique II de Inglaterra, começaram a codificar essa lei costumeira não escrita em cânones registrados. Essas leis eram locais, o que não importa muito, pois eram primariamente direcionadas ao Estado real, uma forma de propriedade que é local por definição. E, como implicava o nome, era muito real.

Isso continuou a ser o caso enquanto a origem da riqueza era agricultural, mas com aquela aurora da revolução industrial, a humanidade começou a focalizar tanto nos meios quanto nos fins. Ferramentas adquiriram um novo valor social e, graças a seu desenvolvimento, foi possível duplicar e distribuir-lhes em quantidade.

Para encorajar sua invenção, leis de copyright e patentes foram desenvolvidas na maior parte dos países ocidentais. Essas leis devotavam-se à delicada tarefa de trazer criações mentais ao mundo, onde pudessem ser usadas - e pudessem entrar na mente dos outros - enquanto asseguravam a seus inventores compensação pelo valor de seu uso. E, como previamente expresso, os sistemas de lei e prática que cresceram no entorno dessa tarefa eram baseados na expressão física.

Desde que agora é possível transportar idéias de uma mente para outra sem nunca fazê-las físicas, nós agora reivindicamos possuir idéias nós mesmos, e não meramente sua expressão. E desde que, da mesma forma, é possível, criar ferramentas úteis que nunca tomam forma física, nós fomos levados a patentear abstrações, seqüências de eventos virtuais e fórmulas matemáticas - o mais irreal Estado imaginável.

Em certas áreas, isso deixa direitos de propriedade em uma condição tão ambígua que a propriedade novamente adere a quem puder formar os maiores exércitos. A única diferença é que desta vez o exército consiste de advogados.

Ameaçar seus oponentes com o purgatório sem fim da litigância, sobre o que alguns prefeririam a morte em si, eles afirmam reclamar qualquer pensamento que possa ter entrado em outro crânio dentro do corpo coletico de organizações a que servem. E eles fingem que pensar em um produto é, de algum modo, tão bom quanto manufaturá-lo, distribuí-lo e vendê-lo.

O que anteriormente era considerado um recurso humano comum, distribuido entre as mentes e bibliotecas do mundo, bem como o fenômeno da natureza em si, agora está sendo demarcado e transferido. É como se uma nova classe de negócio que surgiu reclamasse a propriedade do ar.

O que deve ser feito? Enquanto há um certo humor negro em fazê-lo, dançando sobre a sepultura do copyright e da patente pouco adianta, especialmente quando poucos querem admitir que o ocupante desta sepultura faleceu mesmo, e muitos estão tentando manter pela força o que não pode mais ser mantido por consentimento popular.

Os legalistas, desesperados com a perda do controle, estão vigorosamente tentando extender seu alcance. Realmente, os Estados Unidos e outros proponentes do GATT estão fazendo da aderência aos nossos sistemas moribundos de controle da propriedade intelectual uma condição para ser membro do mercado das nações. Por exemplo, seria negado à China o status de Nação Mais Favorecida a menos que eles concordem em sustentar um conjunto de princípios culturalmente alienígenas que não são sensivelmente aplicáveis nem mesmo no seu país de origem.

Em um mundo mais perfeito, seríamos sábios em declarar uma moratória em litigância, legislação e tratados internacionais nesta área até termos um senso claro dos termos e condições dos negócios no ciberespaço. Idealmente, as leis ratificam consensos sociais já desenvolvidos. Eles são menos o Contrato Social em si que uma série de memorandos expressando um intuito coletivo que emergiu de vários milhões de interações humanas.

Os humanos não habitam o ciberespaço a tempo o bastante ou em diversidade suficiente para desenvolver um Contrato Social que se conforme às novas condições daquele mundo. Leis desenvolvidas antes do consenso normalmente favorecem os poucos já estabelecidos que podem tê-las aprovadas e não a sociedade como um todo.

À extensão em que a lei e a prática social vigente existem nessa área, elas já estão em perigoso desacordo. As leis tratando de reprodução não licenciada de programas comerciais são claras e severas e... raramente observadas. Leis de pirataria de software são tão praticamente incumpríveis e quebrá-las tornou-se tão socialmente aceitável que apenas uma magra minoria parece compelida, por medo ou consciência a obedecê-las. Quando dou palestras sobre este assunto, eu sempre pergunto quantas pessoas no auditório podem alegar honestamente não ter nenhum software não autorizado em seus discos rígidos. Eu nunca vi mais que dez por cento das mãos levantarem.

Sempre que há uma divergência profunda entre a lei e a prática social, não é a sociedade que se adapta. Contra à rápida onda de costume, a prática atual dos distribuidores de software de exibir um bode expiatório visível é tão obviamente caprichosa que apenas diminui o respeito pela lei.

Parte do desrespeito disseminado pelos copyrights de softwares comerciais vem de uma falha legislativa em entender as condições em que foram inseridas. Supor que sistemas de lei baseados no mundo físico servirão em um ambiente tão fundamentalmente diferente como o ciberespaço é uma tolice pela qual todos que fazem negócios hoje pagarão no futuro. Como eu discutirei logo mais em detalhes, a propriedade intelectual desvinculada é muito diferente da propriedade física e não pode mais ser protegida como se essas diferenças não existissem. Por exemplo, se nós continuamos a supor que o valor é baseado na escassez, como isso não lida com objetos físicos, nós criaremos leis que são precisamente contrárias à natureza da informação, que pode, em muitos casos, aumentar de valor com a distribuição.

As grandes instituições, aversas a riscos legais, jogando pelas velhas regras, mais provavelmente irão sofrer por sua conformidade. À medida em que mais advogados, armas e dinheiro são investidos em, ou proteger seus direitos, ou subvertendo eles de seus oponentes, sua habilidade de produzir novas tecnologias simplesmente irá reduzir-se à estagnação, pois cada movimento que fazem os leva mais fundo num lodaçal de guerra de sala de audiências.

Fé na lei não será uma estratégia funcional para companhias de alta tecnologia. A lei se adapta em estágios contínuos e a um passo atrás apenas da geologia. A tecnologia avança em espasmos bruscos, como a pontuação da evolução biológica grotescamente acelerada. As condições no mundo real continuarão a mudar em um passo cegante, e a lei se atrasará logo atrás, mais profundamente confusa. Esse erro pode provar-se impossível de se superar.

As economias emergentes baseadas em produtos puramente digitais nascerão em estado de paralisia, como parece ser o caso com multimídia, ou continuarão em uma valente e obstinada recusa de seus proprietários em brincar o jogo da propriedade, em absoluto.

Nos Estados Unidos já se pode ver um paralelo econômico se desenvolvendo, mormente entre empresas pequenas, de movimentos rápidos, que protegem suas idéias entrando no mercado mais rápido que suas concorrentes maiores, que baseiam sua proteção no medo e na litigância.

Talvez aqueles que são parte do problema vão simplesmente isolar a si mesmos no tribunal, enquanto aqueles que são parte da solução irão criar uma nova sociedade baseada, primeiramente, na pirataria e no livre acesso. Pode bem ser que quando o sistema atual de propriedade intelectual falir, como parece inevitável, nenhuma nova estrutura legal surja em seu lugar.

Mas algo irá acontecer. Afinal de contas, pessoas fazem negócios. Quando uma moeda torna-se insignificante, os negócios são feitos por escambo. Quando as sociedades se desenvolvem fora da lei, elas desenvolvem seus próprios códigos não escritos, práticas e sistemas éticos. Enquanto a tecnologia pode desfazer a lei, a tecnologia oferece métodos para restaurar os direitos de criatividade.

Uma Taxonomia da Informação

Parece-me que a coisa mais produtiva a fazer agora é olhar a verdadeira natureza do que estamos tentando proteger. O quanto realmente sabemos sobre a informação e seus comportamentos naturais?

Quais as características essenciais da criação desvinculada? Como isso difere das formas de propriedade anteriores? Quantas de nossas suposições sobre isso são realmente sobre seus contentores mais que sobre seus misteriosos conteúdos? Quais as suas diferentes espécies e como cada uma delas sujeita-se ao controle? Que tecnologias serão usadas na criação de novas garrafas virtuais para substituir as velhas, físicas?

Claro, informação é, por natureza, intangível e difícil de definir. Com oqualquer outro fenômeno tão profundo como a luz ou a matéria, é um hospedeiro natural ao paradoxo. É mais útil entender a luz como uma partícula e uma onda, um entendimento da informação pode emergir na congruência abstata de suas várias diferentes propriedades que podem ser descritas pelas seguintes três afirmações:

Informação é uma atividade.

Informação é uma forma de vida.

Informação é uma relação.

Na seguinte seção, eu examinarei cada uma destas.

I. INFORMAÇÃO É UMA ATIVIDADE.

Informação é um verbo, não um substantivo.

Liberta de seus contentores, a informação obviamente não é uma coisa. Na verdade, é algo que acontece no campo de interação entre mentes e objetos ou outros pedaços de informação.

Gregory Bateson, expandindo a teoria da informação de Claude Shannon, disse, �Informação é uma diferença que faz uma diferença.� Então, a informação só realmente existe no Delta. A feitura daquela diferença é uma atividade entre uma relação. Informação é uma ação que ocupa tempo, ao invés de um estado de existência que ocupa espaço físico, como é o caso de bens sólidos. É o arremesso, não a bola, a dança, e não o dançarino.

Informação é Experimentada, Não Possuída.

Mesmo quando foi encapsulada em alguma forma estática como um livro ou um disco rígido, a informação ainda é algo que acontece a você enquanto você mentalmente a descomprime de seu código de armazenamento. Mas, independente de se está trafegando a gigabits por segundo ou palavras por minuto, a real decodificação é um processo que deve ser efetuado por e sobre uma mente, um processo que deve tomar lugar no tempo.

Havia um cartoon no Boletim de Cientistas Atômicos alguns anos atrás que ilustrava esse ponto lindamente. No desenho, um assaltante aponta sua arma para o tipo de pessoa de óculos que você imaginaria ter muita informação armazenada na cabeça. �Rápido�, ordena o bandido, �dê-me todas as suas idéias.� Informação tem de se mover.

Diz-se que tubarões morrem sufocados se pararem de nadar, e o mesmo é quase verdade sobre a informação. Informação que não se move deixa de existir como qualquer coisa, exceto potencial... ao menos até que lhe seja permitido se mover novamente. Por esse motivo, a reserva de informações, comum em burocracias, é um artefato mal pensado de sistemas de valor baseados fisicamente.

Informação é Transportada por Propagação, Não Distribuição.

O modo como a informação se espalha é muito diferente da distribuição de bens físicos. Ela se move mais como algo da natureza que de uma fábrica. Ela pode concatenar como dominós cadentes ou crescer na estrutura normal de um fractal, como gelo espalhando-se em uma janela, mas não pode ser encaixotada como coisas, exceto pela área que pode lhe conter nelas. Ela não simplesmente prossegue; ela deixa um rastro onde quer que passe.

A distinção econômica central entre informação e propriedade física é que a informação pode ser transferida sem deixar a posse do proprietário original. Se eu lhe vendo meu cavalo, eu não posso montá-lo depois disso. Se lhe vendo o que eu sei, nós dois o sabemos.

II. INFORMAÇÃO É UMA FORMA DE VIDA

A Informação Quer Ser Livre.

Stewart Brand é geralmente creditado com sua elegante definição do óbvio, que reconhece tanto o desejo natural dos segredos em serem ditos quanto o fato de que eles poderiam ser capazes de possuir algo como um �desejo�, em primeiro lugar.

O biólogo e filósofo inglês Richard Dawkins propôs a idéia de �mimeses�, padrões auto-replicantes de informação que propagam a si mesmos através das ecologias da mente, um padrão de reprodução muito semelhante ao das formas de vida.

Eu acredito que são formas de vida de qualquer sorte, exceto por sua liberdade do átomo de carbono. Elas se auto-reproduzem, interagem com seu entorno e adaptam-se a ele, elas mutam, elas persistem. Elas evoluem para preencher nichos vazios de seus ambientes locais, que são, neste caso, os sistemas de crenças e culturas, a seu redor, de seus hospedeiros, nominadamente, nós.

De fato, sociobiólogos como Dawkins fazem um caso plausível em que formas de vida baseadas em carbono são também informação, que, como a galinha é o meio que tem um ovo de fazer outro ovo, todo o espetáculo biológico é apenas o meio de uma molécula de DNA copiar mais seqüências de informações exatamente como si mesma.

A Informação Replica nas Fissuras da Possibilidade.

Como hélices de DNA, as idéias são incansáveis expansionistas, sempre buscando novas oportunidades para Lebensraum. E, como na natureza baseada no carbono, os organismos mais robustos são extremamente adeptos a encontrar novos lugares para viver. Então, como a mosca doméstica disseminou-se em praticamente todos os ecossistemas no planeta, também a mimese de �vida após a morte� encontrou um nicho na maior parte das mentes, ou psico-ecologias.

Quanto mais universalmente ressonante a idéia ou imagem ou canção, mais mentes adentrará e permanecerá. Tentar parar a expansão de um pedaço realmente robusto de informação é quase tão fácil quanto manter abelhas assassinas longe do alvo.

A Informação Quer Mudar.

Se as idéias e outros padrões interativos de informação são de fato formas de vida, elas podem evoluir constantemente em formas que serão mais perfeitamente adaptadas a seu entorno. E, como vemos, elas fazem isso o tempo todo.

Mas por um longo tempo, nossa mídia estática, seja gravações em pedra, tinta em papel ou pigmento em película, resistiram fortemente ao impulso evolucionário, exaltando como uma conseqüência a habilidade do autor de determinar o produto acabado. Mas, em uma tradição oral, informação digitalizada não tem �toque final�.

Informação digital, não restringida pela embalagem, é um processo contínuo mais parecido com os contos metamorfoseantes da pré-história que qualquer coisa que caberia em plástico de embalar. Do Neolítico a Gutenberg (aparte os monges), a informação seguiu, boca a ouvido, mudando a cada recontar (ou recantar). As histórias que então moldavam nosso senso do mundo não tinha versões confiáveis. Elas adaptavam-se a cada cultura onde se achavam ditas.

Por nunca haver um momento em que a história foi congelada em impressão, o dito direito �moral� dos contadores de histórias de possuir o conto nunca foi protegido nem reconhecido. A história simplesmente passava por cada um em seu caminho para o próximo, onde assumiria uma forma diferente. Ao retornarmos à informação contínua, podemos esperar que a importância da autoria diminua. As pessoas criativas podem ter de renovar seus conhecimentos com humildade.

Mas nosso sistema de copyright não faz nenhuma acomodação apra expressões que não tornem-se fixas em algum ponto nem para expressões culturais que careçam de um autor ou inventor específico.

Improvisações de jazz, espetáculos de comédia, números de mímica, monólogos e transmissões de difusão não gravadas carecem da exigência Constitucional de fixação como uma �escrita�. Sem estarem fixos por um ponto de publicação, os trabalhos líquidos do futuro parecerão todos mais como esseas formas mutantes e continuamente em adaptação e, portanto, existirão além do alcance do copyright.

A especialista em copyright Pamela Samuelson fala em uma conferência que assistiu no ano passado, tratando do fato de que os países ocidentais podem apropriar-se legalmente de música, desenhos e conhecimentos biomédicos de povos aborígenes sem compensação apra suas tribos de origem, por essas tribos não serem �autores� ou �inventores�.

Mas logo a maior parte da informação será gerada em em colaboração pelos nômades ciber-tribais do ciberespaço. Nosso arrogante desdém legal dos direitos dos �primitivos� logo retornará para nos assombrar.

Informação é Perecível.

Com exceção dos raros clássicos, a maior parte da informação é como produtos de fazenda. Sua qualidade degrada rapidamente, tanto pelo tempo quanto pela distância da fonte de produção. Mas mesmo aí, o valor é altamente subjetivo e condicional. Os jornais de ontem tem certo valor para um historiador. Na verdade, quanto mais velhos, mais valioros se tornam. Por outro lado, um corretor da bolsa pode considerar irrelevantes notícias sobre eventos que ocorreram a mais de uma hora atrás.

III. INFORMAÇÃO É UMA RELAÇÃO

O Significado Tem Valor e é Único em Cada Caso.

Na maioria dos casos, damos valor à informação baseado em seu significado. O lugar onde vive a informação, o momento sagrado onde a transmissão torna-se recepção, é uma região que tem muitas características móveis e sabores dependendo do relacionamento do emissor e do receptor, a profundidade de sua interação.

Cada relacionamenteo é único. Mesmo em casos onde o emissor é um meio de difusão, e não há o retorno de uma resposta, o receptor dificilmente é passivo. Receber informação é freqüentemente tão criativo como ato quanto gerá-la.

O valor do que é enviado depende inteiramente da extensão em que cada receptor individual tem seus receptores - terminologia compartilhada, atenção, interesse, linguagem, paradigma - necessários para tornar significativo o que é recebido.

O entendimento é um elemento crítico crescentemente negligenciado no esforço de tornar a informação uma matéria prima. Dados podem ser qualquer conjunto de fatos, úteis ou não, inteligíveis ou incompreensíveis, relevantes ou irrelevantes. Computadores podem produzir novos dados noite adentro sem ajuda humana, e os resultados podem ser oferecidos para venda como informação. Eles podem sê-los, na verdade, ou não. Só um ser humano pode reconhecer o significado que separa informação de dados.

Na verdade, informação, no senso econômico da palavra, consiste em dados que foram processados por uma mente humana em particular e tidos como significativos naquele contexto mental. Uma informação de um sujeito é só dados para todo o resto. Se você é um antropólogo, minhas tabelas detalhadas da genealogia Tasaday podem ser informação crítica para você. Se você é um banqueido de Hong Kong, elas podem muito mal parecer dados.

Familiaridade Tem Mais Valor que Escassez.

Com bens físicos, há uma conexão direta entre escassez e valor. O outro é muito mais valoroso que o trigo, mesmo que você não possa comê-lo. Apesar de não ser sempre o caso, a situação com a informação é precisamente o contrário. A maioria das mercadorias lógicas ganham valor quando tornam-se mais comuns. Familiaridade é um valor importante no mundo da informação. Pode ser, freqüentemente, verdade que a melhor forma de aumentar a demanda sobre seu produto é distribuí-lo.

Enquanto isso nem sempre funcionou com shareware, pode ser argumentado que há uma conexão entre a extensão em que programas comerciais são pirateados e a quantidade que é vendida. Programas largamente pirateados, como o Lotus 1-2-3 ou Wordperfect tornam-se padrão e beneficiam-se da Lei de Retornos Crescentes baseados na familiaridade.

Em se tratando de possuir meu próprio produto lógico, músicas de rock �n� roll, não há dúvida de que a banda para quem as escrevo, the Grateful Dead, aumentou sua popularidade enormemente distribuindo-as. Temos permitido que as pessoas gravem nossos concertos desde os anos setenta, mas ao invés de reduzir a demanda sobre nosso produto, nós temos a maior audiência da América, um fato que é, ao parcialmente atribuído à popularidade gerada por aquelas fitas.

Verdade, eu não ganho nenhum royalty sobre milhões de cópias de minhas músicas que foram extraídas dos concertos, mas não vejo razão para reclamar. O fato é, ninguém além do Grateful Dead pode tocar uma música do Grateful Dead, então, se você quer a experiência e não sua fina projeção, você tem de comprar um ingresso nosso. Em outras palavras, nossa propriedade intelectual deriva de sermos sua única fonte em tempo real.

Exclusividade Tem Valor.

O problema com um modelo que traz em seu âmago a razão escassez/valor é que às vezes o valor da informação é muito baseado em sua escassez. A posse exclusiva de certos fatos os tornam mais úteis. Se todos sabem que condições pode fazer o valor de ações subir, essa informação é inútil.

Mas, novamente, o fator crítico é, geralmente, o tempo. Não importa se esse tipo de informação eventualmente se tornar onipresente. O que importa é estar entre os primeiros a possuí-la e agir sobre isso. Apesar de segredos potentes não permanecerem secretos, eles duram o bastante para valorizar a causa de seus portadores originais. Pontos de Vista e Autoridade Têm Valor.

Em um mundo de realidades flutuantes e mapas contraditórios, recompensas serão entregues a aqueles comentaristas cujos mapas parecem encaixar-se confortavelmente em seu território, baseado em sua habilidade de prover resultados previsíveis para aqueles que os usem.

Em informação estética, seja poesia ou rock �n� roll, as pessoas querem comprar o produto novo de um artista, sem tê-lo visto, baseados em uma experiência aprazível trazida por um trabalho prévio.

A realidade é uma edição. As pessoas querem pagar pela autoridade desses editores cujo ponto de vista parece ajustar-se melhor. E novamente, ponto de vista é um valor que não pode ser roubado ou duplicado. Ninguém vê o mundo como Esther Dyson, e a bela taxa que ela cobra por seu boletim é, na verdade, o pagamento pelo privilégio de ver o mundo através de seus olhos únicos.

O Tempo Substitui o Espaço.

No mundo físico, o valor depende pesadamente da posse ou proximidade no espaço. Um indivíduo possui o material que cai dentro de certas fronteiras dimensionais. A habilidade de agir diretamente, exclusivamente e como se deseja sobre o que cai dentro dessas fronteiras é o principal direito de propriedade. A relação entre valor e escasssez é uma limitação no espaço.

No mundo virtual, proximidade em tempo é um valor determinante. Um produto informcional é geralmente mais valoroso quanto mais perto o comprador possa se posicionar no momento de sua expressão, uma limitação no tempo. Muitos tipos de informação degradam rapidamente com o tempo ou a reprodução. A relevância diminui à medida em que o território que mapeiam muda. Ruído é introduzido e largura de banda perdida ao mover-se do ponto onde a informação foi inicialmente produzida.

Então, ouvir uma fita do Grateful Dead não é a mesma sensação de ir a um concerto do Grateful Dead. Quanto mais perto alguém pode chegar da nascente de um fluxo informacional, melhores a chances de encontrar uma imagem precisa da realidade nele. Em uma era de fácil reprodução, as abstrações informativos de experiências populares propagarão de suas fontes a momentos de alcançar qualquer interessado. Mas é fácil o bastante restringir a sensação real do evento desejado, seja um soco de knock-out ou uma batida de violão, para aqueles que querem pagar para estarem lá.

A Proteção à Execução

Na cidadezinha de onde venho, eles não lhe dão muito crédito apenas por ter idéias. Você é julgado pelo que pode fazer delas. À medida em que as coisas continuam a acelerar, acho que vemos que a execução é a melhor proteção para esses desenhos que tornam-se produtos físicos. Ou, como Steve Jobs colocou certa vez, �Artistas de verdade despacham�. O grande vencedor é normalmente aquele que chega ao mercado primeiro (e com força organizacional o bastante para manter a liderança).

Mas, à medida em que nos debruçamos sobre o comércio de informação, muitos de nós parecem pensar que a originalidade sozinha é suficiente para transportar valor, merecendo, com as garantias legais de direitos, um pagamento seguro. Na verdade, a melhor forma de proteger a propriedade intelectual é atuar sobre ela. Não é suficiente inventar e patentear; é necessário também inovar. Alguém alega ter inventado o microprocessador antes da Intel. Talvez tenha. Se ele tivesse realmente começado a despachar microprocessadores antes da Intel, sua alegação pareceria bem menos espúria.

Informação é Sua Própria Recompensa.

Agora é um lugar-comum dizer que dinheiro é informação. Com exceção dos Krugerrands, corridas de taxi vencidas, e os conteúdos daquelas maletas que dizem que os senhores da droga carregam, a maior parte do dinheiro no mundo informatizado está em uns e zeros. O suprimento global de dinheiro corre pela Rede, tão fluido como o clima. É também óbvio que a informação tornou-se tão fundamental para a criação da riqueza moderna quanto a terra o a luz do sol já foram um dia.

O que é menos óbvio é a extensão de qual a informação adquire valor intrínseco, não como um meio de aquisição, mas como o objeto a ser adquirido. Suponho que isso sempre foi menos explicitamente o caso. Na política e na academia, poder e informação sempre estiveram intimamente relacionados.

Contudo, à medida em que compramos informação com dinheiro, começamos a ver que comprar informação com outra informação é simples troca econômica, sem necessidade de converter o produto em e de moeda. Isso é um tanto desafiador para aqueles que gostam de contabilidade limpa, desde, afora a teoria da informação, as taxas de câmbio informacionais são muito frágeis para quantificar o ponto decimal.

A despeito disso, a maior parte do que a classe média americana compra tem pouco a ver com sobrevivência. Nós compramos beleza, prestígio, experiência, educação e todos os prazeres obscuros de possuir. Muitas dessas coisas não podem somente ser expressadas em termos imateriais, elas podem ser adquiridas por meios imateriais.

E então existem prazeres inexplicáveis da informação em si, as alegrias de aprender, saber e ensinar. a estranha boa sensação da informação entrando e saindo de si. Brincar com idéias é uma recreação pela qual as pessoas querem muito pagar, dado o mercado para livros e seminários eletivos. Nós gastaríamos ainda mais dinheiro com tais prazeres se não tivéssemos tantas oportunidades de pagar por idéias com outras idéias. Isso explica muito do trabalho �voluntário� coletivo que enche os arquivos, grupos de discussão, a bases de dados da Internet. Seus habitantes não estão trabalhando �por nada�, como se amplamente acredita. Antes estão sendo pagos em algo além de dinheiro. É uma economia que consiste quase que inteiramente de informação.

Isso pode tornar-se a forma dominante de comércio humano, e se persistirmos em modelar a economia em uma base estritamente monetária, podemos nos desencaminha gravemente.

Sendo Pago no Ciberespaço

Como tudo dito acima se relaciona com a crise na propriedade intelectual é algo que mal comecei a absorver em minha mente. Seu paradigma imparcial desvirtuou-se para olhar através de novos olhos para ver quão minúsculo é, como um ferro guisa e barriga de porco, e imaginar os casos de lei como totens transvestidos que iremos enfrentar caso continuemos sendo ameaçados como estamos.

Como disse, eu acredito que estas torres de panelas cafonas serão um monte de fumaça algum dia na próxima década, e nós mineradores da mente não teremos outras escolha senão atirar a sorte com os novos sistemas funcionais.

Não estou sendo pessimista sobre nossas perspectivas como os leitores deste velho testamento como alguns podem pensar. As soluções irão surgir. A natureza tem horror ao vazio assim como o comércio.

Realmente, um dos pontos da barreira eletrônica que sempre achei mais atraentes � e a razão pela qual Mitch Karpor e Eu usamos esta frase em nomear nossa fundação � é o grau de semelhança com o século XIX do oeste norte americano em sua preferência natural por dispositivos que surgem das condições mais do que aquelas impostas pelos estrangeiros.

Até o oeste estar completamente estabelecido e �civilizado� em seu século, a ordem foi estabelecida de acordo com o código não-escrito do oeste, que teve a fluidez maior da lei costumeira do que a rigidez dos estatutos. A ética era mais importante que as regras. Os conhecimentos eram elevados acima das leis, que eram, em qualquer circunstância, largamente sem eficácia.

Eu acredito que a lei, como entendemos, foi desenvolvida para proteger os interesses que começaram a existir nas duas �ondas� econômicas que Alvin Toffler bem identificou na Terceira Onda. A Primeira Onda foi baseada na agricultura e necessitou da lei para regular a propriedade da principal fonte de produção, a terra. Na Segunda Onda, a manufatura foi a mola mestra da economia, e a nova estrutura da lei cresceu ao redor das instituições centralizadas que precisam de proteção para as suas reservas de capital, trabalho, e ferragens.

Estes sistemas econômicos exigiram estabilidade. Suas leis foram desenhadas para resistir a mudanças e garantir alguma igualdade na distribuição com um justo ambiente de trabalho social estático. Estes ninchos vazios tiveram que ser forçados a preservar a previsão necessária para dar mordomia ou formar capital.

Na Terceira Onda que entramos agora, a informação em uma larga extensão substitui a terra, o capital e ferragens, e informação está mais em casa em um ambiente mais fluido e adaptável. A Terceira Onda é como trazer uma fundamental mudança nos métodos e propósitos da lei que irá afetar muito mais que simplesmente aqueles estatutos que reinam a propriedade intelectual.

O �terreno� em si � a arquitetura na rede � pode vir a servir a vários propósitos que só poderia ser mantido no passado por uma imposição legal. Por exemplo, pode ser desnecessário assegurar constitucionalmente a liberdade de expressão em um ambiente que, nas palavras de meu amigo co-fundador da EFF John Gilmore, �trata a censura como um defeito� e redireciona as idéias banidas sobre isso.

Uma semelhança natural equilibrando mecanismos irá surgir para suavizar as interrupções sociais que previamente necessitavam uma intervenção da lei para ser legal. Na rede, estas diferenças são como ser atravessado por um espectro continuo que conecta como também separa.

E, apesar de seu feroz aperto sobre a antiga estrutura legal, as empresas que comercializam informações estão quase descobrindo que sua inabilidade crescente para lidar sensivelmente com os problemas tecnológicos não irão ser remediados em cortes, que serão capazes de produzir veredictos suficientemente previsíveis para apoiar os contratos das empresas. Cada litigância ficará como um jogo de roleta russa, dependendo do embasamento do juiz relator.

A �lei� adaptada ou descodificada, enquanto está �veloz, solta e fora de controle� como as outras formas emergentes, é provavelmente o momento de gritar algo como justiça neste momento. Na verdade, alguém já pode ver o desenvolvimento de novas práticas para adaptar as condições do comércio virtual. As formas de vida da informação estão desenvolvendo métodos para proteger sua produção contínua.

Por exemplo, enquanto toda pequena impressão em um envelope de um disquete comercial pontualmente exige um grande valor daqueles que abrirem, poucos que leem aqueles provisos seguem ao pé da letra. E mesmo assim, o negócio do software continua um setor muito saudável da economia americana.

Porque isso? Porque as pessoas parecem eventualmente comprar os softwares que eles usam. Quando um programa se torna essencial para seu trabalho, você quer a versão mais nova, o melhor suporte, os manuais atualizados, todos privilégios inerentes à propriedade. Tais considerações práticas irão, na ausência de lei funcional, tornar-se mais e mais importante ser pago por aquilo que pode ser facilmente obtido por nada.

Eu creio que alguns softwares estão sendo comprados à serviço da ética ou da consciência abstrata do que no resultado da falta da compra que resultará na descontinuação dele, mas eu irei deixar estas motivações de lado. Por enquanto eu acredito que a falha da lei irá quase certamente resultar em um compensatório ressurgimento da ética como o padrão exigido pela sociedade, esta é a crença em que eu não tenho espaço para dedicar aqui.

Por outro lado, eu acho que, como no caso acima, a compensação por produtos lógicos serão levados inicialmente por considerações práticas, todos eles consistem com as verdadeiras propriedades da informação digital, onde o valor recai, e com isto pode ser mutualmente manipulado e protegido pela tecnologia.

Enquanto o problema continuar um problema, eu posso começar a enxergar as direções de onde poderão surgir as soluções, baseados em parte na transmissão destas soluções práticas que já estão em prática.

Relacionamento e suas ferramentas

Eu acredito que uma idéia é essencial para entender o comércio líquido: a economia da informação, na ausência de objetos, será baseada mais no relacionamento do que na posse.

Um modelo existente para o futuro da transferência da propriedade intelectual é a performance em tempo real, um meio atualmente utilizado somente nos teatros, músicas, leituras, comédias e na pedagogia. Eu acredito que o conceito de performance expandirá para incluir a maioria da economia da informação, das novelas com vários atores até aos corretores da bolsa de valores. Nestas circunstâncias, a troca comercial estará mais para venda de ingressos para um show contínuo do que a compra de discretos pacotes como está sendo mostrado.

O outro modelo existente, logicamente, é o serviço. Toda classe profissional � médicos, advogados, consultores, arquitetos, dentre outros � já estão sendo pagos diretamente por sua propriedade intelectual. Quem precisa de copyright se você é o portador?

Na verdade, até o final do século XVIII este modelo foi aplicado para a maioria do que está protegido. Antes a industrialização da criação, escritores, compositores, artistas, e semelhantes, produzem seus produtos ao serviço privado dos seus patrões. Sem objetos para distribuir em um mercado de massa, as pessoas criativas irão retornar a uma condição parecida como esta, exceto que eles irão servir à vários patrões, ao invés de um.

Nós já vislumbramos o surgimento de empresas que baseiam sua existência no apoio e melhoria da propriedade abstrata que eles criam, ao contrário de vendê-lo por uma peça embalada e embutido na .

A nova empresa de Trip Hawking, a 3DO, tem o objetivo de criar e licenciar produtos multimídia, este é um exemplo do que estava falando. A 3DO não pretende produzir software comercial ou dispositivo consumerista. Ao invés, ela irá agir como um padrão privado preparando, mediando entre criadores de software e dispositivos que serão seus licenciadores. Isso irá prover um ponto de comunhão para relacionamentos entre um grande espectro de entidades.

De qualquer jeito, você pensa em si como um provedor de serviço ou um apresentador, a futura proteção de sua propriedade intelectual dependerá de sua habilidade de controlar seu relacionamento com o mercado � um relacionamento que mais parecerá vivo e crescente por um período de tempo.

O valor deste relacionamento residirá na qualidade da performance, a singularidade do seu ponto de vista, a validade de sua experiência, sua relevância para o mercado, e, sobretudo, a habilidade do mercado acessar seus criativos de maneira rápida, conveniente e interativa.

Interação e Proteção

A interação direta trará muita proteção à propriedade intelectual no futuro, e, de fato, já traz. Ninguém sabe quantos piratas de software compraram cópias originais de um programa depois de ligar para seu fabricante para obter suporte técnico e oferecer alguma prova de compra, mas eu imagino que esse número é muito alto.

O mesmo tipo de controles se aplicará a relacionamentos de "pergunta e resposta" entre autoridades (ou artistas) e aqueles que buscam seu conhecimento. Boletins, revistas e livros serão complementados pela habilidade de seus assinantes de questionar diretamente os autores.

A interatividade será uma matéria prima cobrável mesmo na ausência de autoria. À medida em que as pessoas navegam na rede e obtêm crescentemente sua informação diretamente do seu ponto de produção, sem ser filtrada pela mídia centralizada, elas tentarão desenvolver a mesma habilidade interativa de provar a realidade que somente a experiência lhes proveu no passado. Acesso ao vivo a esses "olhos e ouvidos" distantes será muito mais fácil de cercar do que acessar os pacotes de informação armazenada mas facilmente reproduzível.

Na maioria dos casos, o controle será baseado em restringir o acesso à informação mais fresca e de uma largura de banda maior. Será uma questão de definir o ingresso, o local, o apresentador e a identidade do portador do ingresso, definições que eu acredito que tomarão suas formas através da tecnologia, não da lei. Na maioria dos casos, a tecnologia que definirá será a criptografia.

Engarrafando escondido

Criptografia como tenho dito talvez muitas vezes, é o �material� pelo qual as barreiras, fronteiras � e garrafas - do ciberspaço serão moldados.

É claro que existem problemas com a criptografia ou qualquer outro método puramente técnico de proteção de propriedade. Sempre me pareceu que quanto mais seguro você oculta seus bens, mais provável é você tornar seu santuário num alvo. Vindo de um lugar onde as pessoas largam as chaves no carro e nem mesmo têm chaves para as suas casas, eu continuo convencido que o melhor obstáculo para o crime é uma sociedade com a moral integra.

Quando eu admito que esta não é o tipo de sociedade que a maioria de nós vivemos, eu também acredito que confiança social protegidas por barricadas ao invés da consciência isso irá eventualmente levar em breve a transformar a invasão e o roubo em esporte ao invés de crime. Isso já está acontecendo no domínio digital como é evidente nas atividades dos crackers.

Além do mais, eu questionaria que os esforços iniciais para proteger o copyright através da proteção da cópia, contribuiu para a atual condição em que a maioria dos usuários éticos de computadores parecem moralmente tranquilos por possuir software pirata.

Ao invés de cultivar entre os novos computadorizados um senso de respeito pelo trabalho de seus companheiros, a prematura confiança na proteção da cópia levou à subliminar noção de que quebrar um pacote de software de algum modo �premiou� alguém o direito de usá-lo. Limitados não pela consciência mas pela habilidade técnica, muito cedo sente-se livre para fazer o que podem fazer sem serem pegos. Isso irá continuar a ser uma potencial responsabilidade da encriptação do comércio digital.

Ademais, é por cautela lembrar que a proteção da cópia foi rejeitada pelo comercio na maioria das áreas. Muito dos esforços que vem surgindo para utilizar a proteção baseada nos esquemas de criptografia irão provavelmente sofrer do mesmo destino. As pessoas não irão tolerar boa parte do que dificultar o uso do computador do que já está sem trazer beneficio para os usuários.

Todavia, a encriptação tem inclusive demonstrado uma moderada utilidade. Novas aprovações para vários serviços de TVs por satélites cresceu muito rápido depois do desdobramento de encriptações mais robustas de seus equipamentos. Isso acontece apesar do crescimento da vender ou troca ilegal dos chips decodificados, administrados por alguns que mais pareciam ficar em casa reproduzindo as peças do que quebrando os códigos.

Outro problema óbvio com a encripatação como solução global é que uma vez descodificada por uma licença legítima, ela está disponível para reprodução maciça. Em alguns momentos, a reprodução seguindo a decodificação pode não ser um problema. Muitos produtos lógicos desvalorizam rapidamente com o tempo. Pode ser que o único real interesse nesses produtos esteja entre aqueles que tenham adquirido as chaves para uso imediato.

Ademais, como software se tornou mais modular e a distribuição se faz online, ele vai iniciar uma metamorfose na interação direta com a base do usuário. Interromper as atualizações irá nivelar em um constante processo de aprimoração e adaptação, alguns construídos pelo homem e outros são criados por algarismos genético. Cópias piratas de software podem se tornar muito estático para ter valor para qualquer um.

Ainda em casos semelhantes de imagens, onde a informação tem a expectativa de continuar consertada, o arquivo não criptado poderá ainda ser acenado com o códido que poderá continuar a protege-lo sobre uma larga variedade de meios.

Na maioria dos esquemas que eu projetei, o arquivo poderia estar �vivo� com um software permanentemente embutido que poderia �sentir� as condições ao redor e interagir com eles. Por exemplo, ele poderia conter um código que poderia detectar o processo de duplicação e a se tornar auto-destrutível.

Outros métodos podem dar ao arquivo a habilidade de �telefonar para casa� através da rede com seu dono original. A integridade contínua de alguns arquivos exigiam uma �alimentação� periódica com dinheiro virtual do seu hospedeiro, com o qual eles teria que retransmitir para seus autores.

É claro que estes arquivos possuem uma habilidade independente de comunicar contra a corrente soando desconfortávelmente como o verme da internet Morris. Arquivos �vivos� tem uma certa qualidade viral. E grande problemas de privacidade surgiriam se o computador de alguém fosse ampacotado com espiões digitais.

O ponto é que a criptografia irá ativar as tecnologias de proteção que irão desenvolver rapidamente em uma competição obcessiva que já existe entre criadores e quebradores de chaves.

Mas a criptografia não será usada simplesmente para fazer chaves. Ela também é o coração da assinatura digital e do inicialmente tratado, dinheiro virtual, ambos que eu acredito irão se tornar o centro do futuro da proteção da propriedade intelectual.

Eu acredito que geralmente o conhecimento da falha do modelo shareware em software teve menos a ver com desonestidade do que a simples incoveniência de pagar pelo shareware. Se o processo de pagamento pode ser automatizado, como o dinheiro digital e a assinatura irão tornar possível, eu acredito que os criadores de produtos lógicos irão colher um retorno muito maior do que o pão que eles atirão sobre as águas do ciberespaço.

Mais ainda, eles irão economizar muito do elevado custo com o marketing, produção, venda e distribuição da informação anexados aos produtos atualmente, quer sejam estes produtos programas de computador, livros, cds, ou filmes. Isto irá reduzir preços e aumentar ainda mais a probabilidade do pagamento dos não compussórios.

Mas é claro que há um problema fundamental com o sistema que requer, através da tecnologia, pagamento por cada acesso à uma particular expressaõ. Isto derrota o propósito Jeffersoniano original de ver que as idéias foram disponíveis a todos indiderente de sua situação econômica. Eu não estou confortável com um modelo que irá restringir as perguntas para a riqueza.

Uma economia dos verbos

As futuras formas e proteções da propriedade intelectual está muito obscuro nessa entrada da época virtual. Mas, posso fazer (ou reiterar) alguns pontos que eu realmente acredito não será muito tolas nos próximos 50 anos.

Na falta de velhos containers, quase tudo que nós pensamos sobre a propriedade intelectual está errado. Nós precisaremos desaprender isso. Nós vamos precisar olhar para a informação como se nos nunca tivéssemos visto esta coisa antes.

As proteções que iremos desenvolver vai depender muito mais da ética e tecnologia do que da lei.

A encriptação será a base técnica para a maioria das proteções de propriedade intelectuais. ( e deverá, por várias razões, ser feita de forma mais aberta, disponível) A economia do futuro vai ser baseda nos relacionamentos ao invés de posseção. Será continuada ao invés de seqüencial.

E finalmente, nos próximos anos, a maioria das trocas humanas serão virtuais ao invés de físicas, consistente não na coisa, mas na coisa em que os sonhos são feitos. Nosso futuro negócio será conduzido num mundo feito mais de verbos que substantivos.

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revisão: r5 - 07 May 2007 - 01:01:30 - AndrePinto
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